Posts in the category: Livros Nacionais
sexta-feira, março 27, 2020
A morte visita Lisboa - Fernando Perdigão
Sinopse: UM ASSASSINATO ABALA LISBOA. A vítima é uma imigrante brasileira e o detetive Andrade, de Copacabana, é chamado a colaborar na investigação. O policial de cor- panzil desconjuntado, temperamento irascível e retórica politicamente incorreta passa a protagonizar uma pregui- çosa, porém implacável, caçada aos criminosos. Destilando ironias, destratando colegas e pressionando testemunhas, Andrade devassa a comunidade de brasileiros expatriados, expondo segredos e vícios inconfessáveis. No caminho, acumula desafetos que, a contragosto, terão de se render ao seu “método” de tratar testemunhas como suspeitos e suspeitos como culpados. Um livro que mergulha em humor corrosivo o romance policial clássico, e toma partido disso para expor o preconceito e a intolerância na sociedade atual.
★★★★★/5
Bom, eu criei outro blog, porém aqui ainda terá várias atualizações, pois tenho algumas pendências com parceiros e compartilhar com vocês sobre essa leitura é uma dessas pendências e olha, que livro é esse?
A morte visita Lisboa é um livro um tanto interessante. Trata-se de um livro policial, porém com um detetive bem nem aí para o que está acontecendo. Preciso dizer que, como leitora assídua de livros policiais, A morte visita Lisboa me deixou impressionada pelo formato da história.
É daqueles livros que você chega ao final com uma sensação indescritível. Você só sabe que acabou de passar por uma história incrível com um personagem detestável, mas que você não consegue pensar em alguém diferente.
E amei o desenrolar da história e lá na capa de trás tem uma fala que define totalmente meu sentimento pelo Andrade: existem personagens que amamos odiar. É basicamente isso. Eu queria ser amiga dele. Andrade é um cara mau humorado igual a mim. A diferença é que eu não costumo destratar as pessoas, mas falou em ser irônica, aqui estou.
A questão maior que vejo em A morte visita Lisboa é que o Andrade é o retrato perfeito de grande parte da nossa sociedade. As intolerâncias que vemos no decorrer das nossas vidas é algo que já se tornou comum para quem pratica e para quem não liga para nada além de si mesmo.
É uma leitura bem tranquila, gostosa e que você com certeza vai amar. Os personagens secundários são muito divertidos e interessantes. Como eu disse, por ser um livro polcial você espera que tudo seja bem sério, mas aqui temos um tom de humor em cada página.
"-Hã? Ah, suas ex-empregadas. Como a senhora deve saber está havendo uma epidemia de mortes e o epicentro é o prédio construído por seu marido. A não ser que Dandra tenha um cemitério vudu no cubículo dela para enterrar a concorrência a polícia tem que considerar o óbvio."Deixo aqui a minha recomendação e espero que vocês gostem e aproveitem a leitura assim como eu aproveitei.
Título: A morte visita Lisboa
Autor: Fernando Perdigão
Páginas: 296
Ano: 2019
Editora: Ímã
I.S.B.N: 9788554946142
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terça-feira, março 03, 2020
Três Sóis - William Soares Dos Santos
“William Soares dos Santos (...), alcança neste volume maior densidade de sentido e abrangência temática, como se o poeta tivesse atingido o ápice do seu desempenho criativo.” Adriano Espínola, poeta membro da Academia Carioca de Letras
A relação entre o cosmos e a interioridade humana é o tema central do novo livro de poesias de William Soares dos Santos, vencedor do Prêmio Pen Clube do Brasil 2018 e finalista do Prêmio Rio de Literatura 2018 com Poemas da meia-noite (e do meio-dia) (Moinhos, 2017).
Dentro deste arco narrativo, o poeta divide seus versos em cinco partes, ou livros, de acordo sua unidade temática. Os títulos são: Três sóis, Eclipses, Os girassóis da juventude, O novo modus operandi do mundo, Memórias de junho e O jogo do poema. Cada livro é antecipado por uma gravura cuidadosamente escolhida, cujo significado simbólico – descrito em um glossário de figuras ao final do livro – dialoga com os poemas a seguir.
InconsequentesÉramos inconsequentes.Encantados com os jardins da primavera,nos esquecemos que a dor tambémviria nos visitar com a chegada do outono.
Poemas reflexivos, profundos, esclarecedores, místicos e até críticos no modo de viver no século XXI compõem este belo e riquíssimo livro de William Soares dos Santos, forte candidato a ganhar, na primeira leitura, o coração de seus leitores.
★★★★/5
A poesia é, sem sombra de dúvida, o meu calcanhar de Aquiles. Por anos tentei trazer a poesia para o meu cotidiano e confesso que foi uma luta imensa. Hoje, talvez com a maturidade, vejo a poesia de uma outra forma e Três Sóis veio para me mostrar que nunca é tarde para admirar a beleza dos poemas.Três Sóis, do escritor William Soares dos Santos, é uma reunião de belas palavras usadas de uma forma incrivelmente sensível e encantadora. Nos leva dese reflexões rotineiras até conhecimentos de fenômenos naturais dos quais não temos aqui em terras tupiniquins.
São seis livros, o que costumeiramente chamamos de capítulos, independentes, mas que seguem um único objetivo.
"Desejamos para esquecer,
para dar sentido à eterna lida,
ou para aprendermos que o que desejamos
não era um bem para a nossa vida?"
Não vou me estender quanto aos três sóis a que se refere, vou apenas resumir que é um fenômeno que acontece nos pólos do nosso planeta em alguns períodos do ano. Porém, sugiro a você, leitor, que dê uma pesquisada sobre isso, já que é algo impressionante e lindo. É algo que definitivamente eu preciso ver pessoalmente antes de morrer.
Quanto ao conteúdo de Três Sóis, William nos leva a seus pensamentos a respeito da vida, nos trás momentos de pura melancolia e nostalgia, além da crítica social.
O livro IV, "O novo 'modus operandi' do mundo" é extremamente ligado à nossa realidade e ao fato de que grande parte das pessoas é movida a likes. A aceitação, hoje, é baseada na quantidade de curtidas numa foto e na quantidade de amigos nas redes sociais. Não na vida real.
"O que faremos
com tantas imagens
em dispositivos eletrônicos
ou em nuvens de armazenamento
não assimiladas pelo tempo?"
O poema "Das mentiras que nos contam" é algo doloroso de ler, porém extremamente necessário. Sabe aquele homem de bem? A ideia de responsabilidade social? Pois bem, eu sempre tive em meu pensamento no quanto somos hipócritas nesse sentido. Acredito que não é necessário explicar do que estou falando.
Além da beleza das palavras, preciso citar o capricho que teve William na escolha das imagens que compõem a capa de cada um dos livros. São imagens que falam por si e que completam cada página. É prazeroso de ler, não é uma leitura arrastada e pode apostar que em poucas horas você devora esse livro.
Eu poderia passar horas escrevendo sobre a beleza que Três Sóis é. Mas preciso finalizar por aqui.
Espero que curtam de verdade a indicação de hoje.
Título: Três Sóis
Autor: William Soares dos Santos
Ano: 2020
Editora: Patuá
I.S.B.N: 9788582977743
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quinta-feira, fevereiro 06, 2020
1001 DICAS DE PORTUGUÊS – MANUAL DESCOMPLICADO - DAD SQUARISI E PAULO JOSÉ CUNHA
Sinopse: Notas
1 - Só se usa quantia para dinheiro. O certo, na frase lá de cima, é quantidade de tempo (p. 241).
2 - Apesar de se referir a fêmur, a forma correta é femoral (p. 125).
3 - Nem glamourizar nem glamurizar: a palavra correta é glamorizar (p. 138).
4 - O correto é confusão monstro. Como adjetivo, monstro não se flexiona em gênero nem em número (p. 197).
5 - Escreve-se seriíssimo (p. 262).
6 - O certo é xifópago (p. 306).
7 - Siamês é quem vem ao mundo no Sião, hoje Tailândia. Lá nasceram, em 1811, os gêmeos Chan e Eng, unidos um ao outro por uma membrana na altura do tórax. Os irmãos siameses viveram 63 anos. A medicina da época não dispunha de meios para separá-los.
(Fonte: Blog da Editora Contexto)
★★★★★/5
Esse foi um dos livros que recebi em parceria com a Editora Contexto e que fez uma grande diferença na minha vida. Ser professora de português às vezes é bem chato, já que as pessoas acreditam que somos dicionários ou gramáticas ambulantes.
Quando se trata de texto escrito é pior ainda, pois na oralidade nós conseguimos nos expressar e o tom de voz é uma grande ajuda. Mas na escrita, além de você ser cobrado mil vezes, ainda há quem goste de tirar os famosos prints para zoar com uma vírgula fora do lugar.
Graças a Deus eu nunca tive problemas com isso. Não ligo para uma coisinha ou outra. Somos humanos, não máquinas.
Mas a questão aqui é que no meu ambiente de trabalho eu gosto de ser o mais correta possível. Quando estou exercendo minha função aí sim preciso fazer correções e ter respostas para meus alunos.
Além de professora, ainda estou na difícil vida de concurseira. Não pretendo parar ainda e achei que 1001 Dicas de Português seria fundamental para o meu dia a dia.
Trata-se de um manual incrível com as melhores dicas da nossa língua. Eu achei o livro muito bem organizado - vai de A a Z - e bastante claro e objetivo. São dicas realmente úteis e muitas delas, sinceramente, eu nunca nem tinha imaginado. Aí de repente você se pega precisando usar tal palavra. Engraçado.
Também considero o livro 1001 Dicas de Português como um livro de curiosidades. É muito legal a forma como os autores colocam os exemplos e contam a origem de alguns termos que usamos e não pensamos sobre o motivo de usarmos atualmente.
1001 Dicas de Português meio que virou meu livro de cabeceira. Eu o levo para todo lugar e ele já está até amassado por conta disso. Sempre que preciso vou lá e faço uma consulta rápida e simples.
Fica minha recomendação e espero que vocês comprem e façam bom uso dessa maravilha.
Título: 1001 Dicas de Português
Autor: Dad Squarise e Paulo José Cunha
Páginas: 320
Ano: 2015
Editora: Contexto
I.S.B.N: 9788572449083
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segunda-feira, setembro 23, 2019
CRÔNICAS DESPIDAS E VESTIDAS - BETTY MINDLIN
Sinopse: A antropóloga Betty Mindlin compartilha nestas páginas suas experiências e impressões vividas entre povos indígenas e personagens intelectuais. O livro divide-se em duas partes. Na primeira delas, “Crônicas despidas”, a autora expõe uma variedade de assuntos relacionados ao universo indígena (vários povos aí contemplados). Com diversos mitos perpassando os relatos, suas crônicas despidas partem de suas próprias experiências teóricas e práticas entre os índios, que não cobriam o corpo em tempos antigos e para quem a nudez não era proibida. Nas “Crônicas vestidas”, personagens marcantes de diversas áreas do conhecimento – literatura, pintura, cinema – surgem, com “seus trajes habituais”, a partir do ponto de vista pessoal de Mindlin, por vezes com base na admiração que despertam nela, em outras, partindo de convivências verdadeiras. Assim, estas Crônicas despidas e vestidas são fragmentos do percurso de uma vida repleta de grandes momentos.
★★★★/5
Sou bastante fã de livros policiais e de terror/mistério, entretanto, desde que iniciei algumas parcerias com editoras e agências literárias, tenho procurado ler mais autores nacionais que escrevem sobre minorias e assuntos sociais. É extremamente importante para mim, como educadora, entender desses assuntos e estudá-los,
Dessa forma, quando vi no catálogo da Editora Contexto o livro Crônicas Despidas e Vestidas da antropóloga Betty Mindlin, fiquei bem curiosa para ler sobre o longo período de convivência da escritora com os povos indígenas.
Apesar do título indicar "crônicas", o livro não é realmente baseado em relatos do dia a dia da escritora, "o livro despido e vestido do título não descreve a situação indígena, não é uma narrativa, nem um balanço de sucessos e derrotas, ou uma denúncia, como a de Rubens Valente, em seu magnífico Os fuzis e as flechas. Contém alguns artigos já publicados, um bom número na revista Estudos Avançados. Os inéditos evocam relances, temas e pessoas que não couberam em nenhum relatório ou monografia, mas teimam em voltar à tona e à memória, livre expressão, como as velhas canções que de repente, sem motivo, entoamos depois de muito tempo." (Mindlin, blog da Editora Contexto).
Achei a proposta do livro incrível, quantas pessoas você conhece que viveram em uma comunidade indígena, nem que fosse por uma semana? O que sabemos a respeito dessas pessoas é o que a TV nos mostra, é algo bem superficial. E por mais que você não tenha aqui detalhes dessa convivência, você consegue sentir o quão especial é a relação.
Além disso, vou repetir aqui algo que eu sempre digo em relação a temas que fogem do nosso cotidiano: falar sobre é importantíssimo e eu vou fazer a minha parte divulgando livros como Crônicas Despidas e Vestidas.
Gostei bastante da leitura, pois mais uma vez pude viver dentro de um universo que não me pertence. Ler sobre povos indígenas nos faz refletir sobre o modo como essas pessoas normalmente são deixadas de lado, mesmo com toda a legislação garantindo os direitos mínimos e protegendo todos eles dentro do possível.
Hoje nós vemos com mais frequência os índios sendo retirados de suas terras para que nós, a população em geral, tenha todo o conforto que uma hidrelétrica pode oferecer. Assim como condomínios de luxo sendo construídos em terras sagradas para os indígenas.
É bem triste saber que é mais uma minoria não respeitada principalmente pelo detentor do maior cargo brasileiro de hoje.
Título: Crônicas despidas e vestidas
Autor: Betty Mindlin
Páginas: 216
Ano: 2019
Editora: Contexto
I.S.B.N: 978-85-520-0022-8
I.S.B.N: 978-85-520-0022-8
Compre na Amazon.
segunda-feira, setembro 09, 2019
FEMINISMO NO COTIDIANO - MARLI GONÇALVES
Sinopse: Aqui o feminismo não é apenas mais uma teoria defendida na universidade, nem uma trincheira de políticos em busca de votos. Marli Gonçalves, combatente de primeira hora, sai uma vez mais em campo para ajudar mulheres e homens a praticar o feminismo, a lutar por uma sociedade mais justa. Marli foge dos teóricos da moda, assim como do(a)s político(a)s oportunistas. O feminismo que prega é o vivido, não apenas o pensado. Este livro é o presente ideal para mulheres e homens que queiram – ou precisem – aprender o que é mesmo esse tal de feminismo.
“O feminismo é um ideal e um movimento real, uma forma de pensamento e busca de ação abrangente para promover cada vez mais a igualdade de oportunidades entre mulheres e homens.”
“Para começar, homens e mulheres podem e deveriam se declarar feministas. A sociedade justa precisa ser construída por todos. Feminista é adjetivo bom para se definir, para chamar alguém, seja mulher ou homem.”
★★★★★/5
Já tive lá meus preconceitos com o movimento, mas a partir do momento em que você compreende que alguns absurdos são a exceção e não a regra você passa a admirar e querer cada dia mais que as mulheres conquistem seu lugar.
Feminismo no Cotidiano é basicamente um compilado de muitas informações que nós já vimos em algum lugar. Para quem estuda o feminismo, pode parecer que não trás muita coisa nova, mas vamos pensar naquela mulher que não tem acesso a informação ou naquele homem que insiste em ser um idiota no cotidiano.
Precisamos sempre pensar além de nós mesmo, isso se chama empatia. Por isso, sempre que pensar em luta de classes, pense em você, mas pense também no outro, essa é a ideia de todas as lutas: interesse coletivo.
Já indiquei esse livro para várias pessoas e já tenho uma listinha de nomes para quem vou emprestar. Meu desejo mesmo era poder comprar e presentear muita gente com um exemplar, porque, sinceramente, são informações tão importantes e do nosso dia a dia que me impressiona o fato de ainda existirem tantas pessoas com pensamento retrógrado.
Aproveitando o assunto do livro, gostaria de citar a situação aqui do Distrito Federal em relação à violência contra a mulher. Esses dias eu estava assistindo a um jornal local e fiquei impressionada com os números. Não sei se é porque agora estão dando mais lugar para que a informação seja passada ou se realmente aumentou o número de feminicídio.
O caso do maníaco de Brasília chocou nosso país. Quantas vidas perdidas e quanta gente culpando as vítimas. É muito triste. Em uma reportagem do jornal Metrópolis, podemos ver 13 crimes registrados até maio desse ano. Sem contar os que não são registrados ou que, graças a Deus, a vítima conseguiu sair viva.
Nossa realidade está cada dia pior, mas eu torço para que as pessoas evoluam, sei que isso é possível.
Título: Feminismo no cotidiano
Autor: Marli Gonçalves
Páginas: 160
Ano: 2019
Editora: Contexto
segunda-feira, agosto 19, 2019
A HISTÓRIA DO FUTEBOL PARA QUEM TEM PRESSA - MÁRCIO TREVISAN
Sinopse: Uma das mais conhecidas frases do mundo da bola diz que, no futebol, a velocidade é essencial, mas a pressa... totalmente dispensável. De fato: para que o jogo flua a contento de quem o pratica e, principalmente, de quem o assiste, é fundamental que a bola role, que seja plena a dinâmica, mas importantíssimo que ela não se confunda com afobação – se isso se der, a jogada não deu. Mas como contar de forma resumida uma história cujos primeiros registros datam de cerca de 2.500 anos atrás? Como contextualizar cada fato importante ligado ao surgimento, ao desenvolvimento, enfim, à consolidação do futebol como o esporte mais popular do planeta – com ênfase no futebol nacional –, a importância de cada craque, seja dos campos ou dos bancos, a transformação de um simples jogo na maior paixão não só dos brasileiros, mas de bilhões de torcedores espalhados pelo mundo? Esse foi o maior desafio, e a única forma de superá-lo seria usar o poder de síntese sem menosprezar detalhes, utilizar uma linguagem direta sem comprometer a compreensão, explicar a presença daquele atleta ou treinador em detrimento da ausência daquele outro jogador ou técnico sem esquecer que a preferência por este ou aquele, seja ele qual for, é uma questão subjetiva, muitas vezes de pura paixão clubista. Apesar do título, este livro deve ser lido sem pressa. É que somente dessa forma se conhecerão exatamente o poder e o significado de um grito de GOOOOOL!!!
★★★★/5
Um livro sobre uma das maiores paixões brasileiras. Eu gosto muito de futebol, gosto mesmo, apesar de não acompanhar hoje em dia como já acompanhei antes. Mas ainda assim, sempre que tenho um tempinho livre e está passando algum jogo daqueles bons de se acompanhar eu assisto.
Esse foi um lançamento incrível da Editora Valentina agora em 2019. E assim como gosto muito de futebol, a história dele também muito me interessa. Eu gosto de saber detalhes ainda mais de uma época em que tudo era novo.
A história do futebol para quem tem pressa é um livro curto, porém completíssimo com tudo que tem de mais importante por trás dessa coisa linda. Além de detalhar como e onde surgiu o esporte, nós ainda conhecemos os caras que mais se destacaram na história. Alguns eu já conhecia, outros já tinha ouvido falar e outros me foram apresentados no momento da leitura.
Mas, como nem tudo é perfeito, o autor esqueceu do futebol feminino. Tudo bem que ele só surgiu bem depois e infelizmente não é tão reconhecido como deveria, mas acho que caberiam algumas páginas para exaltar nossas mulheres do futebol.
De qualquer forma, é uma leitura muito legal para quem curte história e quem quer conhecer um pouco mais sobre o futebol.
Márcio Trevisan conta como surgiu o Campeonato Brasileiro, um dos maiores campeonatos do país, e de uma forma bem objetiva nos mostra como os demais campeonatos se formaram, assim como as mudanças nas regras ao longo dos anos.
Sabe aquela polêmica sobre o Palmeiras ter ou não um mundial? Então, eu finalmente entendi e, levando em consideração que os demais times foram considerados campeões, então, sim, o Palmeiras tem mundial.
A História Do Futebol Para Quem Tem Pressa de Márcio Trevisan faz parte da coleção A História Para Quem Tem Pressa da Editora Valentina.
Leia também A história do Universo Para quem Tem Pressa.
Até a próxima
Título: A História Do Futebol Para Quem Tem Pressa
Autor: Márcio Trevisan
Páginas: 200
Ano: 2019
Editora: Valentina
terça-feira, julho 16, 2019
BRASILEIRO (A) É ASSIM MESMO, CIDADANIA E PRECONCEITO - JAIME PINSKY E LUIZA NAGIB ELUF
Sinopse: Este livro desvenda, de maneira clara e objetiva, as raízes e mecanismos da discriminação e do preconceito e suas implicações no exercício pleno da cidadania em nosso país. Escrito por dois militantes na luta contra a discriminação, o livro alerta contra atitudes preconceituosas e ações discriminatórias com as quais mantemos, freqüentemente, perigosa conivência.
★★★★★/5
Estou cada dia mais convencida de que fiz a escolha certa ao criar esse blog para divulgar bons livros. Às vezes eu tento me convencer de que os preconceitos raciais, a homofobia, o machismo não são reais e que as pessoas que fazem esse tipo de coisa, fazem unicamente para causar na internet.
Infelizmente não é bem assim. Infelizmente as pessoas conseguem atingir um nível de podridão inimaginável. Quando recebi Brasileiro é assim mesmo da Editora Contexto, pude entender como chegamos a 2019 e as pessoas ainda agem como se algumas vidas importassem menos que as outras.
O livro aborda de forma bem objetiva o quanto somos, no geral, em nosso dia a dia de fato preconceituosos.
Confesso que estou prestes a emoldurar esse parágrafo e colocar na parede da minha casa e imprimir pequenos folhetos e entregar pela rua. É algo tão corriqueiro ouvir esse tipo de coisa que já se tornou normal. Mas eu ainda acredito que nós mulheres vamos chegar ao ponto em que não precisaremos mais lidar com frases ridículas como "só podia ser mulher".
Claro que Brasileiro é assim mesmo aborda vários outros temas com os quais estamos familiarizados. Só o título já é bastante sugestivo, concordam? Por que precisamos desse rótulo? A corrupção está cada dia mais escancarada e sendo denunciada. Não pense que só o político faz isso, viu? Levar a caneta do trabalho para casa, porque "a empresa tem muitas" é uma forma de corrupção.
Um capítulo interessante que gostei muito de ler foi "O Brasil imperial e o Brasil Real". Um capítulo curto, mas que abre nossos olhos para algo que sempre esteve aqui. Há quem diga que só os políticos de hoje nos roubam. Mas não é bem assim.
É o tipo de livro para darmos de presente para aqueles familiares sem noção, amigos que falam besteira em excesso e, também, um guia de como sermos pessoas melhores.
A Editora Contexto tem um catálogo tão incrível e tão a minha cara que não consigo expressar em palavras a gratidão por tê-la como parceira do blog.
Deixo minha recomendação aqui especialmente para o último capítulo intitulado "O preconceito nosso de cada dia".
Título original: Brasileiro(a) É Assim Mesmo. Cidadania e Preconceito.
Páginas: 112
ISBN: 9788572440318
Selo: Editora Contexto.
Compre na Amazon.
Infelizmente não é bem assim. Infelizmente as pessoas conseguem atingir um nível de podridão inimaginável. Quando recebi Brasileiro é assim mesmo da Editora Contexto, pude entender como chegamos a 2019 e as pessoas ainda agem como se algumas vidas importassem menos que as outras.
O livro aborda de forma bem objetiva o quanto somos, no geral, em nosso dia a dia de fato preconceituosos.
Quando se diz, por exemplo, que toda mulher guia mal, e autor da afirmação se apresenta como homem, ele está, de fato querendo se colocar, por oposição, na condição de bom motorista, de motorista melhor que as mulheres. Mais ainda, o que ele procura é se identificar com o grupo de "homens" que, no seu discurso, forma um conjunto de motoristas superiores ao conjunto de motoristas formados pelas mulheres. Isto se constitui em atitude preconceituosa porque não há, absolutamente, nenhuma prova de que o simples fato de pertencer ao sexo feminino desenvolva nas mulheres alguma restrição intelectual ou motora que lhes dificulte a atividade de dirigir. E pode transformar-se em ação discriminatória (e, portanto, ilegal) se isso implicar em restrições à sua atividade profissional.
Confesso que estou prestes a emoldurar esse parágrafo e colocar na parede da minha casa e imprimir pequenos folhetos e entregar pela rua. É algo tão corriqueiro ouvir esse tipo de coisa que já se tornou normal. Mas eu ainda acredito que nós mulheres vamos chegar ao ponto em que não precisaremos mais lidar com frases ridículas como "só podia ser mulher".
Claro que Brasileiro é assim mesmo aborda vários outros temas com os quais estamos familiarizados. Só o título já é bastante sugestivo, concordam? Por que precisamos desse rótulo? A corrupção está cada dia mais escancarada e sendo denunciada. Não pense que só o político faz isso, viu? Levar a caneta do trabalho para casa, porque "a empresa tem muitas" é uma forma de corrupção.
Um capítulo interessante que gostei muito de ler foi "O Brasil imperial e o Brasil Real". Um capítulo curto, mas que abre nossos olhos para algo que sempre esteve aqui. Há quem diga que só os políticos de hoje nos roubam. Mas não é bem assim.
Se hoje vivemos com tantas denúncias contra a má aplicação do dinheiro público não pé com certeza, porque não houvesse corrupção naquela época, mas porque não havia liberdade de imprensa para que as denúncias fossem publicadas. Quem se escandalizou com a ingênua e deslumbrante atitude do ex-ministro Magri ao "humanizar" a cadela levada ao veterinário em carro oficial, não teria como reclamar dos donos do poder, que cometiam arbitrariedades e irregularidades bem mais graves contando com o silêncio que o temos legitima para acobertar seus atos.
É o tipo de livro para darmos de presente para aqueles familiares sem noção, amigos que falam besteira em excesso e, também, um guia de como sermos pessoas melhores.
A Editora Contexto tem um catálogo tão incrível e tão a minha cara que não consigo expressar em palavras a gratidão por tê-la como parceira do blog.
Deixo minha recomendação aqui especialmente para o último capítulo intitulado "O preconceito nosso de cada dia".
Título original: Brasileiro(a) É Assim Mesmo. Cidadania e Preconceito.
Páginas: 112
ISBN: 9788572440318
Selo: Editora Contexto.
Compre na Amazon.
segunda-feira, julho 15, 2019
FUI - NILZA REZENDE
Sinopse: Clara é uma mulher de meia-idade que parece ter tudo que precisa para ser feliz: é professora universitária, tem uma filha com quem se relaciona bem e um ex-namorado ainda presente. Todos se surpreendem quando ela decide dar uma pausa no cotidiano e, com o pretexto de aprender Inglês, viaja a Malta – pequeno arquipélago no Mar Mediterrâneo entre a Europa e a África.
Enquanto ainda no embarque no aeroporto Galeão, o passado ronda os pensamentos de Clara. Machismo, jogos de poder, traições, desencontros. Quantas violências e opressões cotidianas cabem na história de uma mulher? A temporada na ilha de belíssimas paisagens é capaz de curar cura feridas e promover poderoso reencontro de Clara consigo mesma. Ela também se entrega, com ousadia e libertação, a paixões inesperadas.
Fui pode parecer uma versão latina de Comer, rezar e amar, o best-seller de Elizabeth Gilbert. Mas o romance da experiente escritora Nilza Rezende vai além disso. Feminista sem ser militante e doce sem ser piegas, Fui é uma viagem caleidoscópica que permite conhecer um dos lugares mais belos e interessantes do planeta, mas também faz voos sorrateiros sobre o Brasil atual. Impossível não se deixar levar pela fascinante ousadia de quem descobre que sempre é tempo de realizar seus sonhos e ser feliz.
★★★★/5
Quando recebi a proposta para ler esse livro, confesso que fiquei um pouco receosa, visto que me lembrou muito "Comer, amar, rezar". Na própria sinopse é citado. Minha experiência com o livro de Elizabeth Gilbert não foi muito boa. Na época, eu demorei para conseguir ler e, sinceramente, não gostei tanto assim.
Mas preciso dizer que foi uma grande surpresa quando cheguei ao final de Fui com a sensação de ter tido uma das melhores experiências da literatura nacional atual.
Tudo bem que o fator "escritora brasileira" contribuiu bastante para esse resultado, mas, no geral, a história de Clara é muito interessante e divertida. Fiquei pensando que poderia ser eu ali, sem uma filha, lógico.
Gosto muito de ler histórias de brasileiros que viajam para qualquer lugar no mundo. É sempre um grande aprendizado e de certa forma acabo conhecendo uma cultura diferente através das palavras do escritor. Afinal, o meu amor aos livros é basicamente por esse motivo.
Os capítulos são bem curtos, coisa de duas páginas e você se prende naquele momento da leitura, você se envolve com os personagens. Além disso, um dos motivos pelo qual aceitei a recomendação de leitura pela Oasys - grande parceira aqui do blog - foi a frase "feminista sem ser militante e doce sem ser piegas".
Já comentei algumas vezes aqui no blog que sou sim feminista, porém não sou militante, então logo de cara me identifiquei; e sobre ser doce sem ser piegas? Nem preciso explicar.
Em vários momentos, a Clara conta situações em que passou durante sua viagem em que o machismo estava lá, presente e bem parecido com o que muitas de nós mulheres já passamos sem nem perceber.
O mundo é machista: quando se está sozinha e se é mulher, reservam para você o pior lugar. Sabem que você é bobinha e ficará constrangida de reclamar; enquanto aquele canto bem melhor, no hotel ou no restaurante, ficará disponível a homens ou a famílias, com potencial de consumo muito maior do que o seu e também, obviamente, com uma voz mais grossa para fazer barulho.
Eu gostaria de colocar aqui nesse post todas as frases de impacto que marquei no livro, mas ai eu teria que copiar basicamente o livro todo. É cada frase que em poucas linhas te ensinam tanto que chega ao fim da leitura você quer ser uma pessoa diferente.
Mandamento 2: Não aceite qualquer coisa que te derem. Veja, compare, busque o quarto de hotel, a mesa no restaurante, o canto do escritório mais conveniente a você. Não deixe passar, o prejuízo pode ser fatal.
____
Mandamento 20: Sorria na foto e na vida! Não há limite de idade para sorrir. Smile!
Sem dúvida foi um dos livros mais inspiradores que li esse ano. Não é só sobre viagem. É sobre liberdade, é sobre ser mulher e forte. É sobre viver da melhor forma e sobre escolhas.
No final das contas você percebe que não existe uma idade mínima para mudar sua vida.
Quero finalizar dizendo que o exemplar que ganhei da Oasys já tem um destino e depois outros: vou emprestá-lo a algumas mulheres incríveis da minha vida que precisam passar pela experiência de ler Fui, para que se inspirem também e sintam que ainda vale a pena lutar.
Título original: FUI
ISBN: 9788559080384
Selo: Tinta Negra.
Ano: 2019
Compre na Travessa.
No final das contas você percebe que não existe uma idade mínima para mudar sua vida.
Quero finalizar dizendo que o exemplar que ganhei da Oasys já tem um destino e depois outros: vou emprestá-lo a algumas mulheres incríveis da minha vida que precisam passar pela experiência de ler Fui, para que se inspirem também e sintam que ainda vale a pena lutar.
Título original: FUI
ISBN: 9788559080384
Selo: Tinta Negra.
Ano: 2019
Compre na Travessa.
segunda-feira, junho 10, 2019
LIVRO | QUANDO NINGUÉM EDUCA: QUESTIONANDO PAULO FREIRE - RONAI ROCHA
Sinopse: A crise na educação brasileira é inegável. A baixa qualidade das aprendizagens, a estagnação do desempenho escolar nos testes padronizados, a pouca relevância do aumento dos anos de estudo na vida do aluno, a crescente evasão escolar em todos os níveis, o aumento da distorção idade-série e tantos outros problemas são evidências disso. Mas onde se localizam as raízes teóricas da atual crise educacional que vivemos? Neste livro, o professor Ronai Rocha se dedica a desvendar e a compreender o pensamento teórico dominante no cenário educacional e pedagógico brasileiro. O autor realiza um movimento esclarecedor sobre as raízes da reflexão sobre educação no país, que incidem até hoje na formação de nossos professores. E mostra como uma maneira peculiar de ler Paulo Freire afeta o ensino no Brasil.
A Editora Contexto conta com um catálogo incrível para a formação de professores. Preciso me controlar para não pedir sempre os livros dessa seção, já que sou da área de educação e estou sempre buscando atualizações sobre o assunto.
O momento em que vive o Brasil atualmente é bem complicado para criticar ou defender ideias e digo que o professor Rocha foi bem corajoso ao trazer uma reflexão a respeito do modo como se lê Paulo Freire. Embora o livro seja de 2017.
Extremamente adequado aos dias atuais, ele propõe uma análise da forma como as ideias de Paulo Freire são aplicadas ao dia a dia escolar. Para quem não sabe, Freire é patrono da educação brasileira e era um grande pensador, estudado e admirado no Brasil e no mundo. Porém, tendo como base um pensamento socialista, ele propôs muitas ideias que, eu como professora atuante em sala de aula, acredito, estão sendo mal utilizadas.
Ao dizer em suas obras que "ninguém educa ninguém", Paulo Freire fez com que muito da autoridade do professor fosse anulada. Essa era intenção dele? Certamente não, porém a interpretação que se faz hoje dos textos dele são errôneas.
É aquela velha história: a teoria é linda. Quando você vê na prática, temos alunos desrespeitosos, desinteressados e que mal mal estão aprendendo a escrever o próprio nome. Sim, já vi aluno errar a escrita do nome.
Quero destacar, também, que muito do que Ronai Rocha propõe em seu estudo, vai contra muito do que eu penso. Por exemplo quando ele cita que a universalização do acesso à escola nos trouxe uma educação de baixa qualidade. A forma como ele coloca me fez entender que a escola não deveria ser para todos, mas continuar como era no passado, apenas para uma pequena parte da população. Corrijam-me se eu tiver entendido errado.
Além disso, ele cita que a escola é, por natureza, conservadora. É como se ele dissesse que a a escola - e o currículo - funcionavam antes e agora, depois que passou a ser mais democrática e acessível é que "desandou".
Confesso que tenho um problema muito sério em relação ao pensamento Freiriano, porém, sigo acreditando que é melhor que todos tenham acesso à educação, independente de ela ser boa ou não.
Para mim o pior de se ter o pensamento crítico social dos conteúdos como base, é que realmente você perde um pouco da autoridade enquanto educador, além de que a maioria das pessoas acreditam que o professor é responsável por 100% da educação da criança.
É um livro interessante, que traz uma reflexão muito boa a respeito do nosso sistema educacional atual e que, claro, tem pontos a discordar. Discordar é bom, gente. Você não precisa aceitar tudo o que te mostram como verdade. Você conhece a teria da caixa de bombom? Tem um vídeo no Youtube que explica essa metáfora e é a que eu levo para a minha vida.
Nunca aceitar totalmente as ideias impostas e sigamos questionando tudo e todos.
Título original: Quando ninguém educa, questionando Paulo Freire
Páginas: 160
ISBN: 9788552000174
Selo: Editora Contexto.
segunda-feira, junho 03, 2019
LIVRO | TELEFONE SEM FIO - VERA HELENA ROSSI
Uma tentativa de explicação ao que é tão difícil de explicar, tendo como pano de fundo os principais acontecimentos brasileiros dos anos 90 a 2000. Que passa pelo plebiscito sobre a monarquia; pela moda de dançar lambada, enquanto muitos tinham as economias ceifadas pelo Plano Collor; pela morte de PC Farias; pelo pedido de impeachment de Celso Pitta; pelo racionamento de energia durante o governo de FHC; pela eleição do Lula; pelo advento da internet. A narrativa traz muito sobre o modo de viver da classe média na cidade de São Paulo: a formação escolar, os apartamentos, as festinhas, as aulas de inglês, a faculdade, os empregos de vendedora no shopping, de jornalista, de professora de história, os freelas, as incertezas do quê pensar, com quem dormir, onde morar. (Por Ana Rüsche)
Faz um tempo que finalizei a leitura de "Telefone sem fio" e demorei para postar, porque confesso que ando meio desanimada com a vida. Mas isso é meio que normal por aqui.
Para ser sincera, não é desânimo. Depois de um tempo me deu um bloqueio criativo e não estava conseguindo colocar as palavras para fora. Ultimamente estou assim, mas vamos falar de livros, porque isso sim me anima mais que tudo.
Recebi da Oasys Cultural o livro Telefone sem fio da escritora Vera Helena Rossi e eu adorei cada página. Mais uma vez fica aqui minha gratidão eterna à Oasys por me permitir conhecer escritores nacionais incríveis e que infelizmente não conhecia antes.
A Vera tem uma escrita singular. Em "Telefone sem fio" acompanhamos a história de Alma Pontes, onde ela mescla relatos de sua vida desde a infância até a vida adulta, e conversas atuais, dirigidas em muitos momentos ao leitor. Particularmente gosto muito desse tipo de escrita, em que o leitor faz parte daquele enredo.
Alma, desde pequenininha, gostava de brincar de telefone sem fio, lembram disso? Para quem chegou depois, nada mais é do que uma frase simples que é passada de ouvido a ouvido, por várias pessoas e no final é revelada qual era a frase inicial.
O interessante é que normalmente essa frase não chega como era no começo. E, aliás, para Alma o legal da brincadeira era justamente mudar alguma coisa ali no meio do caminho.
Alma Pontes nos conta sua história de uma forma que você acaba se identificando com aqueles conflitos internos vividos ao longo da vida. Como os nosso relacionamentos nos moldam e afetam nossa vida adulta. Como jornalista, a escrita é bem presente na vida dela e, no caminho para o cemitério ela decide relembrar várias fases de sua existência que a levaram até aquele momento.
Carlos desliza as mãos grandes sobre o volante. Desligo o rádio. Não sou sempre assim. Particularmente hoje guardo em mim uma porção horrorizada e desconfortável de mim mesma. Se soubesse que algum dia tivesse que passar por isso, talvez terminasse tudo antes. Mas agora, do que de resto ainda sou, consigo apenas me prender a esta imagem que me foge e a este riso filhadaputa. Não quero pensar, desabafar silenciosa isso de inexato que me acaba. Depois do que me ocorreu de madrugada, descobri que meu único desejo é narrar de alguma forma do que sou feita, rabiscar meu passado com a mão esquerda no intento de compreender a razão do meu choro seco.
A narrativa se passa desde o ano de 1990 até 2010, portanto, várias situações importantes no Brasil daquela época são relembradas. A profissão de jornalista faz com que ela conte muito daquela época. Os anos 90 foram um marco na nossa história. Tivemos o caso PC Farias, o confisco das poupanças, e tudo isso é citado em seus relatos.
Alma, vivendo com sua mãe, a quem chama carinhosamente de senhora da sombra larga, e seu irmão Mauro passaram por muita coisa. Ela e o irmão sempre foram bem infelizes nos relacionamentos amorosos - o que acaba sendo um ponto importantíssimo de sua vida -, mas sempre tiveram boas amizades.
Foi um livro muito gostoso de ler e o final foi emocionante, apesar de você conseguir imaginar ao longo da leitura de quem é o enterro que Alma está indo.
Deixo aqui a minha indicação da semana e torço para que vocês se interessem por "Telefone sem fio". É um livro que faz você se apaixonar de verdade pela literatura nacional, pela riqueza que nós temos e normalmente não damos o real valor merecido.
À escritora (Vera): Obrigada por esse livro existir.
Título original: Telefone sem fio
Páginas: 216
ISBN: 9788582970850
Selo: Editora Patuá.
Título original: Telefone sem fio
Páginas: 216
ISBN: 9788582970850
Selo: Editora Patuá.
segunda-feira, abril 29, 2019
LIVRO | MULHERES NOS ANOS DOURADOS - CARLA BASSANEZI PINSKY
Sinopse: Não faz tanto tempo as mulheres eram classificadas em categorias como a “boa esposa”, a “moça de família”, a “leviana”, a “outra”, a “jovem rebelde”, a “rainha do lar”. Isso foi nos chamados Anos Dourados, apelido nostálgico do período que vai de 1945 a 1964 no Brasil. Neste livro fascinante a historiadora Carla Bassanezi Pinsky revela figuras de um tempo em que casar era indispensável, traições masculinas eram perdoadas em nome da harmonia conjugal e bons eletrodomésticos deveriam compensar a monotonia da existência das mulheres. Será que a sociedade mudou tanto de lá pra cá?
Estamos em uma época em que muito se fala em feminismo e luta de minorias, mas a maioria de nós mal sabe onde e por que tudo começou ou mesmo pelo quê estamos lutando.
Estamos em uma época em que muito se fala em feminismo e luta de minorias, mas a maioria de nós mal sabe onde e por que tudo começou ou mesmo pelo quê estamos lutando.
Quero aqui deixar uma coisa clara que ninguém perguntou, mas eu sigo achando importante falar: eu não costumo levantar bandeira, nem ir para as ruas. Você vai me ver sim falando com frequência em assuntos como "leia mulheres", "mulheres, unam-se", "poder feminino", mas eu sou uma mulher que adora ser mulher e que ainda assim vive inúmeros problemas femininos, tais como ter 30 anos e não ser totalmente independente do meu marido (ele dirige, eu não).
Mesmo não gritando aos quatro ventos, eu defendo o movimento e luto pelo meu espaço nesse mundão.
Além do mais, sou uma mulher que cresceu em um lar cristão, branco, hétero e conservador, ou seja, tudo o que é o "certo", portanto preciso me desconstruir a cada dia. Não desistam de mim e é por isso agarro cada oportunidade de aprender como foi/é nosso papel na sociedade.
Em Mulheres nos Anos Dourados podemos dizer que temos uma compilação de absurdos que deveriam ter ficado em uma época, mas que se perpetua até hoje, talvez em menos intensidade, mas com grande impacto.
O famoso "Jornal das Moças" ditava como deveria ser o comportamento das meninas da época, o que não é tão diferente das revistinhas teen que existiam até alguns anos atrás.
Enquanto fazia a leitura, eu lembrava de quando eu era criança e ia para a igreja evangélica. Não quero falar mal, mas passei por péssimas situações dentro da igreja, principalmente quando o assunto era ser "mulher" (entre aspas, visto o fato que eu era uma crianças, mas era tratada como uma adulta).
Muita coisa descrita ao longo de todo o livro, inclusive as piadas, que acontecia lá em 1950, acontecia ainda em 2002 no ambiente cristão. Era tudo tão parado no tempo. Uma roupa ditava quem você era.
Isso sem mencionar o papel das esposas. Impressionante o número de mulheres que me recordo hoje em dia que naquela época passavam por situações humilhantes apenas pelo fato de que deviam submissão ao marido. Os anos dourados devem ter sido duros e ainda bem que os tempos mudam.
Mulheres nos Anos Dourados é uma leitura incrível para que possamos aprender com o passado. É importante saber como foi antes para não cometermos os mesmos erros hoje em dia e também para notarmos o quanto a sociedade muda e evolui. Legal seria se todos lesse essa obra maravilhosa.
Claro que o livro trata de muitos outros assuntos, como namoro, infidelidade, métodos anticoncepcionais, sexualidade, etc. Apesar de muita opressão, também tivemos muitas conquistas nessa época, no Brasil em 1960 chega a pílula anticoncepcional e muitos casais já fazem o uso para evitar gravidez indesejada, mesmo que isso fosse um ato condenado pela igreja católica.
Estou recomendando a leitura para todo mundo, não importa de é mulher ou homem. Precisamos acabar de vez com a objetificação da mulher. Nós só queremos respeito e espaço.
Até a próxima.
Título original: Mulheres dos Anos Dourados
Páginas: 400
ISBN: 9788572448635
Selo: Editora Contexto
Compre na Amazon.
Título original: Mulheres dos Anos Dourados
Páginas: 400
ISBN: 9788572448635
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segunda-feira, março 25, 2019
LIVRO | FILOSOFIA DO COTIDIANO - LUIZ FELIPE PONDÉ
Sinopse: “Filosofar nunca foi sobre deixar você feliz. É que andam mentindo muito por aí. Filosofar está mais ligado ao despertar do sonambulismo. Essa é minha proposta nesta conversa com você.”
“Seguiremos em direção a um mar profundo, muito distante do que o senso comum assume que o mundo seja. O mundo não é um mar calmo de evidências. É um oceano cheio de pequenas tempestades a serem vencidas. O cotidiano nesse percurso não é a mera passagem das horas, é o cotidiano contemporâneo, permeado pelo caráter histórico desta época em que vivemos.”
“Somos seres muitos mais acanhados em nossa natureza do que a aberração feliz postada nas redes sociais (e na publicidade em geral). Suspeito mesmo que a própria ideia de felicidade se tornou uma variável patogênica em si.”
“Quem tem medo de sofrer é incapaz de desejar.”
“Leitura é um hábito anormal, se ‘normal’ for ser igual à maioria.”
“A obsessão pela felicidade faz de você um chato. Como escapar dessa armadilha? Escolher o fracasso? Não precisa, ele te achará. Viver sem fórmulas é o desafio.”
Faz algumas semanas que recebi da Editora Contexto - nova parceira do blog - o livro "Filosofia do Cotidiano". Preciso dizer que fiquei um pouco receosa de ler quando vi que era do Luiz Felipe Pondé por causa das posições políticas dele. Porém, não quero JAMAIS ser o tipo de pessoa que só lê aquilo que concorda 100%.
Mesmo discordando de vários pensamentos dele, acho importante não viver em uma bolha, afinal, não é só o meu pensamento que está certo - ou errado.
Em "Filosofia do Cotidiano", mais recente livro do Luiz Felipe Pondé, são abordados os assuntos mais triviais do dia-a-dia e nos leva a refletir a respeito de coisas que fazemos e normalmente não nos damos ao trabalho de pensar sobre.
Algumas frases do livro são bem dolorosas de ler, já que elas vão vem na dura realidade. Particularmente adoro filosofia e é algo que deveria estar mais presente na vida de todos nós. Como ele diz em determinado momento, a "filosofia está mais ligada ao despertar do sonambulismo" e isso dificilmente nos deixará feliz.
Seguindo uma linha de pensamento bastante conservadora, o escritor propõe um pensamento acerca de vários assuntos tanto voltados para a religiosidade, e o fato de as pessoas se manterem céticas, questões sociais e familiares.
Ao dizer a expressão "despertar do sonambulismo", ele quer dizer algo como deixar de lado nossos dogmas para, assim, enxergar a realidade. Acredito que seja mais ou menos como um psiquiatra que tem a ciência e sua crença em algum ser superior, ele não vai misturar os dois mesmo porque nem todo paciente é igual.
Concordo com esse fato e não é porque eu acredito que Deus existe que simplesmente vou ignorar a física, a ciência e todos os conhecimentos conquistados ao longo de décadas. Essa é a ideia de despertar.
No que diz respeito a questões sociais e familiares, confesso que li os capítulos 5 e 12 com muita raiva. Lembram quando o vice-presidente declarou abertamente que uma criança que cresce sem um pai, uma figura masculina, tende a se envolver com a criminalidade (mais ou menos assim)? Pois bem, aqui, Pondé deixa clara a sua concordância.
Quando o assunto é empoderamento feminino, ele faz parecer que mulheres que decidem tocar a vida sozinhas são solitárias. Claro que ele aponta os dois lados, mas acho que é uma questão bem delicada para explicar em duas páginas.
No geral, se trata de uma ótima leitura, com 24 capítulos curtos - cerca de duas páginas e meia - em que é possível tirar muita coisa boa. Precisamos estar abertos a várias opiniões, afinal vivemos em uma democracia e em um país livre.
É impossível agradar a todos o tempo todo. As divergências servem para crescimento, desde que colocadas de forma saudável.
Fica aqui a minha indicação, em um dia você termina a leitura. Espero que tenham curtido.
Até a próxima.
Páginas: 128
ISBN: 9788552000839
Selo: Editora Contexto
Compre na Amazon.
quarta-feira, fevereiro 27, 2019
LIVROS CURTINHOS PARA FUGIR DO CARNAVAL
Carnaval chegando e por aqui vou só aproveitar os dias de folga. Pretendo ler bastante, assistir algumas séries que estão atrasadas e comer muita besteira.
Pensando nas pessoas que, assim como eu, vão ficar em casa curtindo o bloco unidos da Netflix, separei alguns livros que são bem curtinhos e que você, com certeza vai ler antes mesmo do fim do feriado. Vamos lá.
Pensando nas pessoas que, assim como eu, vão ficar em casa curtindo o bloco unidos da Netflix, separei alguns livros que são bem curtinhos e que você, com certeza vai ler antes mesmo do fim do feriado. Vamos lá.
1 - Tormento (John Boyne) - Danny Delaney curtia tranquilamente as férias, até que sua mãe volta pra casa tarde da noite, escoltada por dois policiais. Ele logo percebe que algo terrível aconteceu. A sra. Delaney havia atropelado um garotinho, que agora está em coma e ninguém sabe se vai acordar. Consumida pela culpa, ela se isola de todos ao seu redor. Caberá a Danny e seu pai impedir que a família se despedace.
2 - O Alquimista (Paulo Coelho) - Quando você quer alguma coisa, todo o Universo conspira para que você realize seu desejo. De tempos em tempos, surge um livro capaz de mudar para sempre a vida de seus leitores. "O Alquimista" é um deles.
Com mais de 65 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, o mais famoso título de Paulo Coelho já se estabeleceu como um clássico moderno, atemporal e universal, que segue fascinando públicos cada vez maiores, de diferentes gerações. Simples, sábia e inspiradora, esta história refaz os passos de um pastor da Andaluzia que viaja para o deserto egípcio em busca de um tesouro enterrado nas Pirâmides. O que começa como uma jornada para encontrar bens materiais torna-se uma descoberta das riquezas que escondemos dentro de nós mesmos. As belas lições que Santiago aprende ao longo do caminho nos falam da sabedoria de ouvir o que diz o coração, de ler os sinais com que deparamos ao longo da vida e, acima de tudo, da importância de seguir os nossos sonhos.
3 - A Natureza das Coisas (Marília Passos) - A natureza das coisas é um título que revela ao esconder. Com uma trama direta, discorre a condição emocional e psicológica sem alarde. No entanto, a profundidade dos sentimentos, a intensidade das descobertas e o peso das escolhas são temas que percorrem cada linha. As atitudes de seus personagens refletem um mundo em que as aparências se igualam a sonhos. Quando acordamos, vemos quem somos e podemos seguir adiante ou optar por viver numa ilusão falha. Ao mesmo tempo em que o leitor sente empatia, encontra uma reflexão leve na superfície e tremenda no interior sobre como nos relacionamos, incluindo com nós mesmos.
4 - Extraordinário (R. J. Palácio) - August Pullman, o Auggie, nasceu com uma síndrome genética cuja sequela e uma severa deformidade facial, que lhe impôs diversas cirurgias e complicações medicas. Por isso, ele nunca havia frequentado uma escola de verdade... ate agora. Todo mundo sabe que e difícil ser um aluno novo, mais ainda quando se tem um rosto tao diferente. Prestes a começar o quinto ano em um colégio particular de Nova York, Auggie tem uma missão nada fácil pela frente: convencer os colegas de que, apesar da aparência incomum, ele e um menino igual a todos os outros. R. J. Palácio criou uma historia edificante, repleta de amor e esperança, em que um grupo de pessoas luta para espalhar compaixão, aceitação e gentileza. Narrado da perspectiva de Auggie e também de seus familiares e amigos, com momentos comoventes e outros descontraídos, Extraordinário consegue captar o impacto que um menino pode causar na vida e no comportamento de todos, família, amigos e comunidade um impacto forte, comovente e, sem duvida nenhuma, extraordinariamente positivo, que vai tocar todo o tipo de leitor.
5 - Passarinha (Kathryn Erskine) - No mundo de Caitlin, tudo é preto e branco. Qualquer coisa entre um e outro dá uma baita sensação de recreio no estômago e a obriga a fazer bicho de pelúcia. É isso que seu irmão, Devon, sempre tentou explicar às pessoas. Mas agora, depois do dia em que a vida desmoronou, seu pai, devastado, chora muito sem saber ao certo como lidar com isso. Ela quer ajudar o pai - a si mesma e todos a sua volta -, mas, sendo uma menina de dez anos de idade, autista, portadora da Síndrome de Asperger, ela não sabe como captar o sentido. Caitlin, que não gosta de olhar para a pessoa nem que invadam seu espaço pessoal, se volta, então, para os livros e dicionários, que considera fáceis por estarem repletos de fatos, preto no branco. Após ler a definição da palavra desfecho, tem certeza de que é exatamente disso que ela e seu pai precisam. E Caitlin está determinada a consegui-lo. Seguindo o conselho do irmão, ela decide trabalhar nisso, o que a leva a descobrir que nem tudo é realmente preto e branco, afinal, o mundo é cheio de cores, confuso mas belo. Um livro sobre compreender uns aos outros, repleto de empatia, com um desfecho comovente e encantador que levará o leitor às lágrimas e dará aos jovens um precioso vislumbre do mundo todo especial dessa menina extraordinária.
Já leram algum da lista?
Espero que curtam, até a próxima.
Já leram algum da lista?
Espero que curtam, até a próxima.
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